Anvisa vai reavaliar a venda de sibutramina

A substância emagrecedora, que hoje tem venda controlada, poderá ser proibida

Depois da polêmica que levou à venda controlada do emagrecedor sibutramina no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai rever o uso do medicamento no mês que vem. A Anvisa publicará em janeiro o resultado de uma nova análise sobre a substância e o órgão regulador pode optar pela proibição da venda da sibutramina no país. Os resultados da política de controle do medicamento, que vem sendo vendido com restrições desde dezembro de 2011, podem levar o órgão a retirar a substância do mercado, assim como fez com os anfetamínicos mazindol, femproporex e anfepramona. 

O diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, explica que a nova análise do caso levará em conta a segurança dos pacientes que usam o medicamento. “O produto pode ser banido se chegarmos à conclusão de que não temos como manejar a questão de segurança que envolve a sibutramina, mesmo com o sistema de controle implantado”, disse Barbano.

Segundo ele, a substância está sob o maior controle possível. Hoje, no momento da prescrição de remédios à base de sibutramina, pacientes e profissionais de saúde devem assinar um termo de responsabilidade. Além disso, médicos, empresas detentoras de registro e farmácias são obrigadas a notificar o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária sobre casos de efeitos adversos relacionados ao uso de medicamentos que contenham a substância.

O presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Durval Ribas Filho, acredita que as regras impostas pela Anvisa fizeram com que os médicos recorressem menos à sibutramina para o tratamento contra a obesidade. “A parte burocrática desestimulou e dificultou muito a prescrição desse agente farmacológico”, explica Durval.

Para o médico, quem perde com a limitação são os quase 88 milhões de brasileiros com sobrepeso ou obesidade que ficam sem opção de tratamento com remédios. “Havia um crescimento anual de 2,4% dos casos de obesidade no Brasil. Com a proibição dos emagrecedores à base de anfetamina, em 10 meses, o aumento foi de 3,1%”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Nutrologia. Durval Ribas Filho acredita que a sibutramina também deverá ser retirada do mercado, a exemplo dos anorexígenos mazindol, femproporex e anfepramona.

O especialista avalia que a proibição do medicamento poderá levar ao aumento das cirurgias bariátricas, bem como ao crescimento da procura por “tratamentos milagrosos”. “Os pacientes compram remédios alternativos pela internet, em busca da pílula milagrosa para substituir um medicamento”, lamenta. Neuton Dornellas, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, ressalta que, caso a substância seja banida, sobrarão apenas as drogas que não combatem diretamente o problema da obesidade. “São ansiolíticos e antidepressivos que ajudam na ansiedade do paciente, mas não resolvem a questão da saciedade”, diz.

Membro da Câmara Técnica de Medicamentos, órgão consultor da Anvisa, Francisco Paumgartten participou da elaboração do relatório que analisou a sibutramina em 2011. “A recomendação que fizemos à Anvisa foi para proibir os anfetamínicos e a sibutramina. Essa última não foi banida, mas eu espero que, na próxima avaliação deles, o produto seja retirado do mercado. Há comprovação de que os perigos são maiores do que os ganhos com emagrecimento”, diz.

A autônoma Débora Flores Garcez, 30 anos, enfrentou as reações adversas narradas por alguns profissionais. A primeira vez que ela tomou o medicamento foi há nove anos. “Recorri ao remédio porque nenhum outro tratamento funcionava e isso me causava uma agonia muito grande. Tomei por três meses, emagreci significativamente, mas tive efeitos colaterais. Fiquei muito estressada, irritada e meu coração disparava. E logo depois que interrompi o tratamento, engordei tudo de novo”, contou. Atualmente, Débora optou por um remédio para a ansiedade e passou por uma reeducação alimentar.

Efeitos colaterais

Entre os efeitos colaterais descritos para os usuários da sibutramina estão os riscos de infarto do miocárdio e derrame cerebral. O médico Francisco Paumgartten, da Câmara Técnica de Medicamentos, ressalta que os Estados Unidos e países da União Europeia proibiram a venda da sibutramina. “No Brasil, embora a comercialização do remédio tenha sido permitida, até o laboratório responsável pelo produto parou de fabricá-lo. Hoje, só existem versões manipuladas e fabricadas por outros laboratórios”, diz. Paumgartten também discorda da alegação de que a restrição dos remédios aumentou os casos de obesidade. “Essa doença está se tornando um problema de saúde pública. O número de pessoas acima do peso já vinha crescendo muito enquanto os anfetamínicos eram comercializados e mesmo antes.”

Para Michele da Costa Siqueira, 22 anos, formada em gastronomia, a sibutramina significou a perda de sete quilos em três meses. Seu peso caiu de 80kg para 73kg nesse período. Após consultas com nutricionistas e dietas combinadas com exercícios físicos, ela decidiu recorrer aos fármacos. “Procurei vários médicos que me receitassem a sibutramina, até que consegui um profissional, após meses de busca. Fiz vários exames e foi constatado que eu não tinha restrições para tomar o remédio”. A jovem comemora o resultado do tratamento. “Foi um dos melhores remédios que já tomei. O único efeito colateral que tenho é a prisão de ventre mas, por recomendação da médica, fui a um nutricionista. Agora faço uma dieta específica para o meu caso”, relata.

Fonte: Correio Braziliense / ANNA BEATRIZ LISBÔA / JULIA CHAIB / RENATA MARIZ
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