Caso Marcelo Dino: Polícia remete inquérito à Justiça

Investigadores da 1ª DP, da Asa Sul, encaminham documento ao Judiciário com dois indiciamentos

A Polícia Civil encaminhou à Justiça o inquérito sobre a morte do estudante Marcelo Dino, 13 anos, após uma crise de asma no Hospital Santa Lúcia, em 14 de fevereiro deste ano. O relatório final de 23 páginas ficou pronto na última quarta-feira e relata detalhes da investigação. Trechos de depoimentos foram anexados ao documento. Em um deles, uma médica diz que a aplicação de um remédio teria provocado o problema respiratório do menino durante a internação. A polícia também solicita providências da Vigilância Sanitária do DF. No mês passado, uma pediatra e uma auxiliar de enfermagem foram indiciadas pela polícia.

O depoimento de uma médica que acompanhou o corpo de Marcelo ao Instituto de Medicina Legal (IML) consta no relatório encaminhando à Justiça. Rachel Eliza Collins Campedelli, que não é do quadro de funcionários do Santa Lúcia, sugere à polícia que “a administração dos medicamentos solu-medrol e/ou combivent, como fora realizada, tenha desencadeado o broncoespamo ou as reações, que uma vez não devidamente conduzidas, levaram Marcelo a óbito”.

A família do menino acredita que a aplicação do succinato sódico de metilprednisolona, genérico do solu-medrol, deflagrou a crise, já que o garoto não havia realizado atividade física anteriormente ao ataque no hospital. “O Marcelo estava há 19 horas sem crise e com boa saturação de oxigênio. Minutos após receber a dose de remédio, teve a crise deflagrada”, afirmou o pai de Marcelo, Flávio Dino. “Esse relatório fecha a chave do mistério. O medicamento deflagrou a crise. A médica chegou atrasada, não soube administrar o quadro do Marcelo, não fez a entubação e meu filho morreu”, completou o presidente da Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur).

Apesar do relato, os investigadores não comprovaram que a aplicação dos medicamentos foi determinante para desencadear a crise de Marcelo dentro da unidade de terapia intensiva (UTI) pediátrica. De acordo com o chefe da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), Anderson Espíndola, os policiais apuraram que a medicação foi diluída de forma errada (veja fac-símile). “Precisavam ter diluído com dois produtos e fizeram apenas com água destilada. Mas não podemos dizer que isso agravou o quadro”, explicou Espíndola.

Notificação
Além de enviar o inquérito ao Tribunal de Justiça, a polícia vai encaminhar uma notificação à Vigilância Sanitária do Distrito Federal. “Estou convicto que houve falha por parte do Santa Lúcia ao deixar a UTI sozinha por vários momentos. Isso contraria resoluções da Anvisa e deve ser apurado”, ressaltou o delegado. A Vigilância ainda não recebeu a notificação da Polícia Civil. “Quando o inquérito chegar, vamos obedecer o direcionamento. Mas, de qualquer forma, já fazemos trabalhos em todos os hospitais do DF há muito tempo”, explicou Manoel Silva Neto, diretor do órgão.

A última ação de Vigilância no hospital ocorreu na semana em que Marcelo morreu, entre os dias 14 e 17 de fevereiro. De acordo com Manoel Silva, em 2010, o Santa Lúcia foi notificado em R$ 3 mil por ter apresentado inconformidades no sistema de climatização da unidade. “Mas eles fizeram uma reforma e regularizaram todos os problemas. Desde então, tudo está conforme as normas da Anvisa”, explica Neto.

Por meio da assessoria de imprensa, o Hospital Santa Lúcia informou que não irá se pronunciar. Disse apenas que, “sobre o pedido para que a Anvisa fiscalize o hospital, o Santa Lúcia esclarece que já é fiscalizado habitualmente e que está à disposição para qualquer fiscalização extraordinária”.

Condutas questionadas
Com a conclusão do inquérito, os pais de Marcelo Dino pretendem, na próxima semana, entrar na Justiça para responsabilizar a direção do Hospital Santa Lúcia. O presidente da Embratur, Flávio Dino, defende que uma sucessão de falhas foi responsável pela morte do filho.

Durante os 78 dias de investigações, os policiais ouviram familiares de Marcelo, a equipe médica e os funcionários da escola onde o garoto estudava. A 1ª DP (Asa Sul) indiciou a médica Izaura Rodrigues Emídio por homicídio culposo (sem intenção de matar), sob argumento de que ela adotou um procedimento errado durante a crise de asma de Marcelo Dino. A possível falha da pediatra teria levado a uma aspiração de suco gástrico, que contribuiu para a asfixia — causa da morte, segundo perícia do Instituto de Medicina Legal (IML).

Uma auxiliar de enfermagem também foi indiciada. Luzia Cristina dos Santos Rocha vai responder por falsidade ideológica. As investigações apuraram que ela mentiu a respeito do horário em que aplicou a medicação em Marcelo. Luzia, ainda de acordo com inquérito, registrou que o broncodilatador foi ministrado às 4h, mas, em depoimento, revelou que deu a medicação apenas às 6h, pouco antes de Marcelo apresentar a crise que o levou à morte. A justificativa do atraso, segundo a auxiliar, foi porque o paciente estava dormindo no horário correto. (KA)

Laudo do IML aponta asfixia como causa
O estudante Marcelo Dino sofreu uma crise de asma no Colégio Marista (609 Sul) enquanto praticava exercícios físicos, em 13 de fevereiro deste ano. A família do garoto o encaminhou ao Hospital Santa Lúcia, por volta do meio-dia. Ele foi internado na unidade de terapia intensiva (UTI) pediátrica. Por volta das 6h do dia seguinte, teve uma nova complicação respiratória. Diante da crise, os médicos aplicaram broncodilatadores e sedativos e entubaram o paciente duas vezes.

Apesar das massagens cardíacas e das injeções de adrenalina, o adolescente morreu por volta das 7h. O Santa Lúcia informou que o óbito decorreu de uma asma fatal ou catastrófica. O laudo da Polícia Civil, porém, indicou que a morte de Marcelo resultou de uma asfixia, devido à falta de aspiração das vias respiratórias. No mesmo dia da morte, o tio de Marcelo, o procurador da República Nicolau Dino, registrou uma ocorrência na 1ª DP acusando o hospital de negligência.

Os pais de Marcelo também entraram com representação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pedindo investigação da conduta do hospital. O Ministério Público é outro órgão a acompanhar o caso. (KA)

Fonte: Correio Braziliense / Kelly Almeida

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