CRM vai investigar denúncia de erro médico

Conselho quer saber se houve negligência durante a cirurgia de retirada do útero de uma paciente

O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) vai abrir uma sindicância para apurar possível negligência da médica Ana Luiza Sandoval durante cirurgia de retirada do útero da servidora pública Rosilane do Carmo Rocha, 50 anos. O procedimento foi realizado em 16 de julho de 2010 e, pouco mais de um ano depois, três materiais cirúrgicos foram identificados e retirados do abdômen da paciente em um hospital particular na Asa Sul. Entre eles estava um material metálico, torto, com 9,6 centímetro de comprimento e 1,5 centímetros de espessura, com característica de uma compressa ginecológica envolta por tecido de algodão. 

Em nota, o conselho informa que “ouvirá os esclarecimentos da médica denunciada, bem como da paciente. O CRM ressalta, ainda, que “avaliará o prontuário da sra. Rosilane, entre outros documentos que venham esclarecer os fatos”. Se for considerada culpada, a especialista pode receber penalidade que vai de advertência à cassação do registro profissional.

A médica e o Hospital Santa Lúcia, onde a cirurgia foi feita em 2010, são processados pela paciente. Ana Luiza acredita que o erro não ocorreu durante a histerectomia, mas em procedimentos anteriores, e disse ter cópia do laudo com a contagem dos materiais utilizados durante a operação, assinados e carimbados pela enfermeira responsável pela conferência. A profissional garantiu que vai apresentar o documento chamado transoperatório na Justiça, como prova de que não foi deixado nenhum material no corpo de Rosilane. “Quando termina a cirurgia, nós perguntamos: contagem completa? E a enfermeira responde: contagem completa. Só, então, finalizamos a cirurgia”, explicou a cirurgiã.

Rosilane ficou revoltada com a declaração da médica. “Quando estava no hospital para retirar os objetos (que ficaram envoltos em uma cápsula), ela já levantou a hipótese de os materiais terem sido esquecidos em cirurgias passadas. Eu e meus filhos achamos um absurdo”, disse a servidora pública, moradora da Asa Norte. Rosilane mostrou ao Correio o laudo de uma tomografia computadorizada feita no abdômen e na pelve dela em 24 de março de 2009. O documento é assinado e revisado por três médicos. Nele, a conclusão diz: “os achados tomográficos de abdômen superior e pelve são considerados normais”. 

Segundo Rosilane, após a tomografia feita em 2009, ela não passou por nenhum procedimento cirúrgico, a não ser a retirada do útero. “Se tivesse alguma coisa antes, teria sentido. Depois da cirurgia, ela (Dr. Ana) não fez nenhum exame de raios-X, não seguiu o protocolo”, criticou. O raios-X após operações como essa não é muito realizado. “Só se houver uma dúvida na contagem, a gente pede um equipamento portátil, mas ele é geralmente utilizado em outros pacientes que não podem ir para a radiologia, como os infectados e os internados na UTI. Esse equipamento tem que ser esterilizado e a paciente precisa receber mais anestesia, até ele chegar para fazermos a radiografia”, explicou Ana Luiza. 

Estranheza

A especialista achou estranho a existência da tomografia de 2009. “Ela nunca me apresentou. É até curioso porque a gente pede que os pacientes tragam tudo o que tenham para programarmos a cirurgia”, disse. A médica, entretanto, não descartou a possibilidade de ter ocorrido erro na contagem dos materiais. “Tudo é possível na humanidade. É uma enfermeira que só tem essa função, de contabilizar tudo o que entrou e tudo o que saiu. A cirurgia foi programada e durou quatro horas. A moça teve muita calma e tranquilidade para desenvolver o trabalho dela. Toda a equipe esteve presente durante a cirurgia inteira e, então, não havia motivo para a moça se equivocar”, acredita a ginecologista.

A profissional garante que vai provar não ter culpa no ocorrido. “Agora, eu vou me ater ao autos do processo e me defender dentro da verdade, da boa prática e da ética médica. O que eu fiz foi salvar a vida dessa senhora. Ela está salva, saudável e dando entrevista para todo mundo graças a mim. Se estivesse doente, ela não estava fazendo isso”, disse.

Em nota, a assessoria de imprensa do Hospital Santa Lúcia esclarece que, mensalmente, são realizadas 1,2 mil cirurgias eletivas na unidade. “Em todas, é adotado o Protocolo de Cirurgia Segura da Organização Mundial de Saúde (OMS). No caso da cirurgia eletiva da sra. Rosilane, realizada por solicitação da médica Ana Luiza Sandoval, o procedimento de segurança também foi adotado no pré e pós operatório. Reafirmamos que a sala de cirurgia do hospital foi cedida em obediência ao disposto na Resolução nº 1.931/2009 (Código de Ética Médica)”. 

Entenda o caso

Sofrimento intenso

Em 15 de julho de 2010, Rosilane do Carmo Rocha é internada no Hospital Santa Lúcia para cirurgia eletiva de retirada do útero (histerectomia). Ela foi operada no dia seguinte e, tão logo passaram os efeitos da anestesia, começou a reclamar de fortes dores na região do abdômen. Duas semanas depois da cirurgia, Rosilane vai até a clínica particular da médica Ana Luiza Sandoval para retirada dos pontos e falou sobre as dores. A médica teria dito que tudo estava normal, recomendou medicação, mas não realizou nenhum exame de raios-X. Em fevereiro de 2011, Rosilane percebeu algo estranho e duro alojado no abdômen. Ela não conseguia mais ficar de bruços. Rosilane chegou a ser atendida por outra profissional da mesma clínica de Ana Luíza. Ela prescreveu uma ultrassonografia transvaginal e uma de abdômen total e pelve, mas os exames não constataram nada de anormal. Passados um ano e dois meses da cirurgia, Rosilane resolveu fazer uma tomografia computadorizada, que apontou a existência de um corpo estranho metálico dentro dela. Em 19 de outubro do ano passado, a paciente foi internada no Hospital Santa Luzia e retirou os materiais. A cirurgia foi bem-sucedida, mas Rosilane diz ter ficado abalada psicologicamente, além de ter adquirido pressão alta. (MP)

Fonte: Correio Braziliense / MARA PULJIZ 

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