DF: Após denúncia, 21 demitidos

O Hospital Anchieta, em Taguatinga, dispensou ontem, por justa causa, técnicos de enfermagem que denunciaram prática ilegal

Após as denúncias de que técnicos de enfermagem estariam fazendo o papel de médicos auxiliares durante as cirurgias em hospitais particulares, a direção do Hospital Anchieta, localizado em Taguatinga Norte, demitiu por justa causa, na tarde de ontem, 21 técnicos que trabalhavam no centro cirúrgico da instituição. A medida teria sido motivada por uma suposta greve dos profissionais e por abandono de trabalho durante paralisação realizada no dia 13. Os trabalhadores, no entanto, garantem que a demissão é uma retaliação por conta da divulgação das práticas ilegais de medicina no hospital.

Os técnicos de enfermagem acabaram surpreendidos pelo comunicado da empresa. Dezesseis deles trabalharam durante toda a manhã e receberam a notícia no término do plantão. Os outros cinco profissionais souberam da demissão assim que chegaram para o turno vespertino. Nenhum deles assinou o termo de demissão por justa causa. “Ninguém concordou com o que estava escrito no documento. Não houve greve nem abandono de trabalho. A folha de ponto está aí para provar”, afirmou a técnica de enfermagem Thaís Câmara, 35 anos, e que trabalhava no Hospital Anchieta há um ano.

Os 21 profissionais demitidos se reuniram em um estacionamento em frente ao hospital com representantes do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do Distrito Federal (Sindate-DF). Os técnicos revelaram que a medida adotada pela empresa ocorreu logo após a tentativa de reunião entre a categoria, o sindicato e a direção da empresa para discutir o reajuste salarial. “A empresa não aceitou a presença do sindicato e informou que quem participasse do movimento seria demitido. Hoje, eles alegaram na demissão que houve greve abusiva. Não houve greve ou movimento algum. Não podemos lutar nem mesmo por um direito trabalhista”, criticou Thaís Câmara. 

Para o diretor administrativo do Sindate-DF, Jorge Viana, a medida do Hospital Anchieta é abusiva. “Lamentamos o tratamento e o posicionamento da empresa para com os funcionários. Gostaríamos de entender o porquê da demissão em massa por justa causa, sendo que não houve movimento grevista”, garantiu Viana.

Na próxima segunda-feira, os técnicos deverão prestar esclarecimentos sobre a demissão no Conselho Regional de Enfermagem (Coren-DF). “O nosso assessor jurídico deverá acompanhá-los para que tudo ocorra dentro da legalidade. No mesmo dia, estamos com reunião marcada para as 16h na Delegacia Regional do Trabalho para saber quais medidas devem ser adotadas pelo sindicato e pelos profissionais”, explicou Jorge Viana.

Depoimento
“Como se fosse um bandido”


“Nunca passei por esse tipo de situação em toda a minha vida. Trabalhamos normalmente durante toda a manhã e, quando terminou o plantão, recebemos o comunicado de que estávamos demitidos. Durante a semana, ouvi o boato de que haveria demissão depois que saiu na mídia a denúncia de que os técnicos trabalhavam nas cirurgias como auxiliares. Tivemos que ir até ao recursos humanos, onde tive que entregar o crachá. Pediram para que eu assinasse a demissão por justa causa. Preferi não fazê-lo por não aceitar o motivo exposto no documento. Peguei as minhas coisas no armário e caminhei em direção à saída do hospital acompanhada pelos seguranças, como se fosse um bandido. Achei uma falta de respeito a maneira como fui tratada pela empresa. Trabalhei durante dois anos na instituição e nunca cometi nenhuma falta ou erro no serviço que executei no centro cirúrgico.” 

Mônica de Cássia Ferreira, 32 anos, técnica de enfermagem

``Falta grave``, diz Anchieta

Em nota oficial, o Anchieta negou que as denúncias sobre prática ilegal da profissão sejam o motivo para a demissão de 21 funcionários de enfermagem. Esclareceu que a suposta ocorrência de técnicos do setor atuando como auxiliares em cirurgias se trata de “movimento classista, que induziu os profissionais do centro cirúrgico e da central de material esterilizado, do turno matutino, a abandonar, em sua totalidade, os postos de trabalho na assistência direta aos pacientes, em 13 de novembro”.

Segundo os gestores da unidade de saúde, a atitude dos técnicos caracteriza “falta grave de abandono conjunto de plantão”, prevista no artigo 16 do código de ética dos profissionais de enfermagem. A legislação prevê que é de competência do trabalhador da área garantir a continuidade da assistência de enfermagem em condições que oferecem segurança, mesmo em caso de suspensão das atividades profissionais decorrentes de movimentos reivindicatórios da categoria.

O hospital informou ainda que a demissão ocorreu após a apuração do fato por meio de sindicância administrativa interna, “o que fundamentou a adoção de medidas cabíveis. Reiteramos nosso compromisso com a segurança e a qualidade da assistência prestada pela instituição. Não pouparemos esforços e recursos para garantir que os padrões estabelecidos com base na excelência sejam mantidos”, garantiu a direção da empresa no comunicado.

Fonte: Correio Braziliense / SHEILA OLIVEIRA e SAULO ARAÚJO

<<Voltar para Notícias




Receba as nossas novidades em seu e-mail.
Nome:

Data de Nascimento:

Email:




Esclarecimento de quaisquer dúvidas, no prazo de 48 atendimento jurídico virtual(quarenta e oito) horas nas áreas trabalhista (preventiva e contenciosa) e da saúde, através de atendimento virtual.

MAIS

Avenida Paulista, 2.202 – conj. 31 - Cerqueira Cesar – São Paulo - CEP 01310-932
Telefone: (11) 4063-0693 - E-mail: mnmakino.direitomedico@gmail.com
Website desenvolvido por: Andréa Mari