Família entrega recibos à polícia

Comprovantes do pagamento de dois cheques-caução exigidos pelo Hospital S.Helena para internar aposentada em UTI são repassados à delegacia

Familiares da aposentada Aureliana Duarte dos Santos, 77 anos, entregaram ontem à Polícia Civil os recibos dos dois cheques-caução que teriam sido pedidos como garantia para a internação da paciente na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Santa Helena, no mês passado. Funcionários e diretores do hospital eram esperados para depor ontem, mas, até o fechamento desta edição, apenas advogados do Santa Helena estiveram na 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte). A polícia quer saber se a ida de um filho da idosa a Sobradinho para pegar os cheques agravou o estado de saúde dela, que morreu quatro horas após ter dado entrada na unidade.

Os dois comprovantes ainda não tinham sido divulgados pela família. Os documentos são assinados pela nora de Aureliana, Maria Cleidiane de Oliveira, 24 anos. Segundo ela, as folhas de cheque, de R$ 25 mil cada, continuam em poder da tesouraria do hospital. “Quando eles exigiram a garantia para minha sogra ir para a UTI, não falaram como seria para pegarmos de volta. Não sabemos como está a situação”, explicou. O marido de Cleidiane relata que a conta do hospital só foi revelada 15 dias depois da morte. “Fomos lá em 25 de abril e nos falaram que já iriam depositar os cheques. Só então ficamos sabendo que o período em que ela ficou internada, de quatro horas, custou R$ 8,3 mil”, disse Thiago Seabra, 24. 

Aureliana morreu em 10 de abril, mas a ocorrência na 2ª DP foi feita por um dos filhos dela apenas na última quarta-feira. Carlos Roberto do Nascimento, 48 anos, acredita que houve omissão de socorro durante o atendimento prestado à aposentada. O funcionário público garante que a mãe, depois de ter passado pela emergência da unidade, só foi encaminhada à unidade de terapia intensiva mediante a entrega dos dois cheques-caução. “Eu não estava com o talão e precisei voltar em casa e pegar. Enquanto isso, a minha mãe ficou em um box. Só foi levada para a UTI quando entregamos os cheques”, afirma Carlos. 

Agentes da 2ª DP apuram o caso. Até agora, os dois filhos da aposentada foram ouvidos. Funcionários e diretores do hospital também são esperados pela polícia. O delegado-chefe da unidade, Rodrigo Bonach, quer saber se o período em que Aureliana esperou para ser internada na UTI foi determinante para o agravamento no estado de saúde dela. A idosa deu entrada por volta das 19h30 de 9 de abril com problemas cardíacos. Ela morreu na madrugada do dia seguinte. O atestado de óbito apontou como causa da morte choque cardiogênico, arritmia cardíaca e hipertensão arterial. A polícia tem até 30 dias, contando da abertura do inquérito, para a conclusão das investigações. 

Divergências 

Na última quinta-feira, o Hospital Santa Helena divulgou uma nota garantindo que “não houve exigência de qualquer garantia para o atendimento da paciente, muito menos a solicitação de cheque-caução.” A versão, no entanto, foi rebatida pelo advogado da unidade Sérgio Moraes, há quatro dias. O defensor informou ao Correio que a exigência é uma forma de “antecipação de despesas, normal em pacientes particulares”. Por meio da assessoria de imprensa, o Santa Helena informou ontem que não vai mais se pronunciar a respeito do caso. 

Para tentar evitar que os hospitais continuem exigindo garantias de pagamento, o Senado aprovou, há seis dias, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) nº 34/2012. A proposta segue para a sanção da presidente Dilma Rouseff e começa a valer com a publicação da lei no Diário Oficial da União. O texto foi elaborado pelo Executivo após a morte do secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva, em 19 de janeiro. Ele percorreu três unidades particulares do DF e teve o atendimento negado por não ter cheques para dar como garantia. 


Fonte: Correio Braziliense / Kelly Almeida

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