Geap pede socorro para não quebrar

Fundação que administra planos de saúde de servidores quer reajuste das mensalidades e ajuda financeira do Ministério do Planejamento

O governo federal acelerou o passo para tentar salvar a Geap, fundação que administra planos de saúde da maioria dos servidores públicos. Com rombo próximo de R$ 100 milhões por ano, a entidade pediu autorização à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para reajustar as mensalidades cobradas dos associados e requisitou, ao Ministério do Planejamento, que amplie, de 25% para 30%, a sua parcela nas contribuições, de forma que os trabalhadores não sintam tanto o peso do aumento. Sem o reforço do caixa, a Geap corre o risco de sucumbir à crise.

Segundo João Torquato, diretor do Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde, Trabalho e Assistência Social no Distrito Federal, pelo menos 300 mil servidores se desligaram da Geap desde 2009 por causa do mau atendimento, agravando a situação financeira da entidade. Com a falta de pagamento à rede de hospitais credenciados, houve cancelamento em massa dos contratos. Atualmente, no Plano Piloto, região central de Brasília, somente o Hospital Planalto, da Unimed, aceita os planos de Geap para emergências gerais. O último estabelecimento do DF a se desligar da empresa foi o ProntoNorte, que cobra dívidas de R$ 13 milhões.

Na tentativa de minimizar os danos aos beneficiários, a operadora afirmou que iniciará negociação com o ProntoNorte a partir de segunda-feira. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Geap informou que considera as cobranças “pertinentes” e assinalou que a retomada dos pagamento deve começar em, no máximo, 60 dias. A fundação ressaltou ainda que mantém contratos com oito hospitais que realizam atendimentos gerais de urgência nas demais regiões administrativas do DF, e assegurou que conseguiu repor boa parte dos clientes perdidos nos últimos anos. Estima-se que a fundação tenha hoje 610 mil associados ativos.

Má gestão

A grande preocupação do governo em relação à Geap é o fato de quase 60% das pessoas atendidas pela empresa terem mais de 60 anos. Ou seja, dificilmente esse público teria condições de arcar com um plano de saúde privado se a empresa quebrasse. “Teríamos um grande problema social. 

Certamente, esse pessoal passaria a recorrer ao SUS (Sistema Único de Saúde), onerando os cofres públicos”, disse Denise Elói, presidente da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas), que vem dando assistência técnica à operadora. “Felizmente, temos expectativas de recuperação da Geap a médio prazo, desde que o seu modelo de gestão seja equacionado e as contribuições, revistas”, frisou.

Ontem, em audiência na Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados, Cida Diogo, diretora da Geap, foi tachativa: sem uma injeção de recursos, a empresa dificilmente conseguirá se manter de pé. “Se não for assim, vamos acumular mais dívidas”, afirmou ela. Mas, mesmo que o reforço de capital ocorra por meio do aumento das mensalidades, uma possível recuperação só começará a se evidenciar em 2014, na melhor das hipóteses. Diante desse quadro, o secretário adjunto de gestão do Planejamento, Sérgio Carneiro, admitiu: “Não podemos fechar os olhos para a realidade. Vamos procurar resolver da melhor maneira possível (a situação da operadora)”.

Enquanto a ajuda não vem, a ordem, segundo Cida Diogo, é administrar a penúria. “Estamos com uma auditoria forte na Geap. Daqui para frente, vamos trabalhar para não perdermos mais dinheiro”, prometeu. O coordenador do Setor Público da Central Única dos Trabalhadores, Pedro Armengol, se mostrou cético quanto à capacidade de recuperação da operadora de planos de saúde dos servidores. “O que temos visto é uma mudança constante de diretoria da Geap, má administração e constante crise. Portanto, o governo não pode lavar as mãos e dizer: se virem. É preciso uma intervenção urgente na fundação”, recomendou. 

Para a deputada federal Érika Kokay (PT-DF), todo o reajuste imposto aos planos de saúde deve ser absorvido pelos órgãos patrocinadores da Geap — quase 80. Ela assegurou que, neste ano, algumas mensalidades já subiram 300% e outras correções devem se materializar no próximo mês.

» R$ 36 milhões podem virar pó

Em meio à grave situação financeira na qual está mergulhada, a Geap pode perder R$ 36 milhões que tem aplicado no Banco BVA. A instituição financeira está sob intervenção do Banco Central por enfrentar sérias dificuldades. O dinheiro, que seria suficiente para acertar dívidas com vários hospitais e, com isso, ampliar rede de atendimento a seus conveniados, está aplicado em Cédulas de Crédito Bancário (CCB) emitidas pela Bolero Participações, empresa controlada pelo BVA. Caso o banco não consiga se recuperar, os recursos virarão pó.

Negociação reaberta 
» VERA BATISTA

As negociações salariais com as 10 carreiras que não aceitaram o reajuste de 15,8%, em três parcelas, recomeçarão no início do ano que vem, para possíveis acertos financeiros em 2014. E os policiais federais que ainda não receberam o restante da reposição dos dias parados terão o dinheiro depositado na conta até o fim deste mês. O aviso foi do secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, durante audiência na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados. Ele disse ainda que a reestruturação da carreira dos policiais federais é um assunto complexo, que exige esforço conjunto de vários órgãos, como o Ministério da Justiça e a direção da Polícia Federal. 

“A mesa de negociação tem seus limites. Uma reestruturação desse porte, que envolve redefinição de carreiras, precisa do convencimento de diversas áreas do governo”, ressaltou Mendonça. Foi aplaudido pelos escrivães, papiloscopistas e agentes (EPAs) presentes, que estiveram em greve por 69 dias. “O objetivo do secretário é resolver. Tenho certeza de que ele saiu do processo quase tão frustrado quanto nós”, assinalou o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Marcos Wink. O sentimento de otimismo aumentou, quando Mendonça anunciou que os dias parados — alguns tiveram o contracheque zerado — virão em folha suplementar. “Será no dia 20, com o salário”, contou Wink. 

A definição da data ocorreu após exaustivos ajustes entre a Fenapef e o Planejamento, que atravessaram a noite de quarta-feira. “Felizmente, conseguimos equacionar o problema”, disse Wink. Mendonça aproveitou a oportunidade para reafirmar a boa vontade do governo. Disse que, em 10 anos — oito do governo Lula e dois de Dilma Rousseff —, o país viveu o mais longo processo de negociação. Foram assinados 105 termos de acordo com mais de 1,1 milhão de servidores ativos e inativos do Poder Executivo. Mas pregou a necessidade de se regulamentar o direito de greve, para evitar os abusos cometidos recentemente pelo funcionalismo. “Isso vai dar mais segurança para o governo e para os servidores. Ninguém pretende restringir nada”, frisou.

Afago

Para reforçar que não há ressentimentos nem mesmo com os agentes da PF que provocaram o caos em portos, aeroportos e estradas, Marcelo Veiga, assessor especial do Ministério da Justiça, anunciou que vai receber representantes da categoria no próximo dia 19, às 17 h, na sede do órgão, para uma conversa entre as partes interessadas no plano de carreira, inclusive o diretor-geral da PF, Leandro Daiello Coimbra, malvisto pelos policiais. O objetivo é entender tanto as propostas dos servidores, quanto a queda de braço com as chefias. O presidente da Comissão do Trabalho, deputado Sebastião Bala Rocha (PDT-AP), deu total apoio às reivindicações. Indicou três parlamentares para acompanhar as conversas e evitar que o clima entre os agentes e os delegados, que aceitaram a proposta do governo, fique ainda mais tenso.

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