Geap tem rombo de R$ 151 mi

Órgão responsável pela gestão dos convênios médicos do funcionalismo federal acumula problemas e está acéfala desde o ano passado

Acéfala desde novembro, quando Paulo Eduardo de Paiva Gomes da Silva foi demitido do cargo de diretor executivo apenas quatro meses após tomar posse, a Fundação de Seguridade Social (Geap) está mergulhada em uma crise sem precedentes. Os problemas na gestão do plano de saúde dos servidores públicos federais, que possui 625 mil beneficiários, vão desde um rombo de R$ 151 milhões nas contas, identificado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em auditoria preliminar feta em junho passado, até a falta de transparência e de critérios técnicos para a escolha dos dirigentes.

A queda de Paiva ocorreu depois que o Correio publicou, em 12 de agosto passado, reportagem que mostrava o suposto envolvimento dele na elevação injustificada de gastos com órteses, próteses e materiais especiais quando ainda ocupava a gerência da regional da Paraíba. A denúncia teve como base processo que descreve as infrações cometidas por Paiva entre 2010 e setembro de 2011 e que foi apresentado à então diretoria executoria do órgão em Brasília, em 27 de setembro do mesmo ano. Seis dias depois, a demissão dele foi publicada. 

O relatório traz 110 casos de compras feitas pela gerência regional com indícios de irregularidade. Mesmo assim, menos de um ano após sua demissão, Paiva foi nomeado para o mais alto posto da Geap, em julho de 2012.

Com a diretoria executiva vaga, o cargo é ocupado provisoriamente desde 22 de novembro pelo diretor de Administração, Jocelino Francisco de Menezes, que acumula as duas funções. 

O retrato do descaso na gestão do plano de saúde é ainda mais grave devido ao fato de a diretoria de Serviços também ser ocupada interinamente. 

Procurada para esclarecer os motivos sobre a demissão de Paiva e se o escolhido para a vaga será um técnico, a Geap limitou-se a afirmar, por meio de nota, que a contratação do diretor executivo “acontece entre técnicos indicados e selecionados e sua demissão segue os critérios que norteiam a avaliação de desempenho e a apresentação de resultados”. O texto não informa se o Conselho Deliberativo da empresa analisa nomes para o posto. 

Responsável por regulamentar os planos de saúde, a ANS afirmou que a Geap passa por um processo de monitoramento financeiro. A agência espera que a empresa corrija o rombo nas contas e melhore a gestão.

Abandono sem limite

Além de enfrentar problemas de gestão, a Fundação de Seguridade Social (Geap) não tem recebido a devida atenção das patrocinadoras com assento no seu Conselho Deliberativo — órgão máximo na estrutura da instituição, responsável pela política geral de administração do plano de saúde — formado pelos ministérios da Saúde e do Trabalho e Emprego, além do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 

Com as diretorias executiva e de Serviços desocupadas, o Conselho Deliberativo se mantém inerte e não cobra as mudanças necessárias na condução do convênio visando à diminuição das perdas financeiras e à melhoria na qualidade do serviço prestado aos 625 mil beneficiários.

Servidor do INSS e indicado pela autarquia para ocupar a vaga de presidente do Conselho Deliberativo da Geap, Manoel Ricardo Palmeira Lessa está de férias e não foi encontrado pelo Correio para comentar a crise que se instalou no convênio e a situação do processo de adequação financeira imposto pela Agência Nacional de Saúde Suplementar. A assessoria de imprensa do órgão limitou-se a dizer que o servidor, por si só, não pode escolher quem será nomeado para comandar o convênio.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, se esquivou de qualquer responsabilidade e jogou o problema na conta do INSS. “A presidência do conselho deliberativo da Geap é da Previdência Social”, resumiu Padilha. Sem nenhuma perspectiva de mudanças ou nomeações, o convênio continua a acumular problemas.

Imbróglios

Além do rombo de R$ 151 milhões nas contas, a Geap tem em perigo R$ 36 milhões aplicados em Cédulas de Crédito Bancário (CCB) emitidas pela Bolero Participações, uma empresa usada pelos controladores do BVA para capitalizar o banco. “A instituição corre o risco, caso o banco seja liquidado, de perder o investimento”, admitiu a Geap em nota enviada ao Correio em novembro passado. Segundo a entidade, quando a aplicação foi realizada, em julho de 2010, o banco apresentava “solidez financeira adequada”. (AT)

Fonte: Correio Braziliense
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