GRIPE AVIÁRIA: Após censura, estudo é publicado

Em novembro passado, o Painel Consultivo sobre Biossegurança dos Estados Unidos pediu que o estudo não fosse divulgado

Seis meses depois de pronto para publicação, um artigo sobre a possível transmissão do vírus da gripe aviária, o H1N5, para mamíferos, saiu na edição on-line de ontem da revista Nature. Em novembro passado, o Painel Consultivo sobre Biossegurança dos Estados Unidos pediu que o estudo não fosse divulgado, temendo que a metodologia fosse utilizada por bioterroristas para provocar uma pandemia. Na época, houve intensos debates entre a comunidade científica, que encarou o pedido como uma espécie de censura. Em protesto, os principais autores dos estudos suspenderam suas pesquisas.

Agora, Yoshihiro Kawaoka, da Universidade de Wisconsin-Madison, relata que desenvolveu quatro vírus mutantes a partir da manipulação do gene HA do H5N1, cadeia proteica que media a ligação do vírus aos receptores das células. Com isso, conseguiu fazer com que a gripe aviária fosse transmitida a furões, modelos animais usados na pesquisa. O pesquisador observa que não se sabe se essas mutações seriam suficientes para transmitir totalmente o H5N1 para mamíferos, incluindo os humanos, mas afirma que futuros estudos poderão resolver a questão. Como os homens não têm imunidade contra o gene mutante H5 HA, uma hipotética pandemia poderia ter efeitos catastróficos.

Prevenção
“Todos os vírus da gripe são decorrentes de variações genéticas, mas essa diversidade não consegue ser completamente desvendada pelos métodos de sequenciamento de genoma que possuímos hoje”, observaram, em uma perspectiva que acompanha o artigo, Hui-Ling Yen, da Escola de Saúde Pública de Hong Kong, e Joseph Sriyal Malik Peiris, do Centro de Pesquisas HKU-Pasteur, também de Hong Kong. “Fazer testes diretamente com mamíferos vai nos permitir avaliar a extensão da adaptação do H5N1 a esse hospedeiro. Poderemos avaliar melhor os riscos de pandemias e desenvolver vacinas pré-pandêmicas para cepas específicas”, escreveram.

No artigo da Nature, Kawaoka lembra que, embora existam relatos raros de humanos infectados pelo H5N1, a transmissão jamais ocorreu de homem para homem, mas a partir de animais doentes, o que restringiu a circulação do vírus. Uma mutação natural como a que ele produziu em laboratório, porém, espalharia rapidamente a gripe aviária pelo globo. “Nossas descobertas enfatizam a necessidade de nos preparar para uma pandemia em potencial causada por vírus da influenza que possuem (o gene mutante) H5 HA”, observa.

Fonte: Correio Braziliense

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