Mãe diz que escolas rejeitam filha com doença rara de pele

Apenas um dos estabelecimentos procurados quis conhecer a menina; os outros agiram com má vontade, afirma a mãe

Mãe de uma menina de sete anos que tem uma doença rara de pele, a dona de casa Suzana Matsumoto, 30, procura há um ano uma escola particular para a filha em Campinas (a 93 km de São Paulo), sem sucesso.

A menina tem epidermólise bolhosa, doença genética não contagiosa que deixa a pele muito sensível, provocando feridas e problemas de cicatrização que dificultam os movimentos.

Em idade de alfabetização, Letícia sabe escrever apenas o próprio nome.

``Ela conseguiria prestar atenção na aula como qualquer criança, só precisaria de um pouco de atenção com movimentos e brincadeiras alternativas no recreio``, afirma Suzana.

Ela diz ter se oferecido para contratar um monitor que ajudasse a filha durante as atividades escolares.

``Ela pede para ir à escola, quer conhecer esse mundo``, diz. Enquanto não é aceita, Letícia brinca com o irmão, de oito anos, em casa. ``Às vezes até de pega-pega.``

Segundo Suzana, como o filho mais velho estuda em uma escola particular, ela não chegou a procurar escolas públicas para Letícia porque deseja dar aos dois filhos ``as mesmas chances de futuro``.

A mãe afirma que apenas uma das quatro escolas procuradas quis ver a menina.

``Me tratam com má vontade. Uma pessoa chegou a dizer que não pode mudar toda a escola só pela minha filha. Todas disseram que me ligariam, mas até agora nada. É desesperador.``

Pacientes com epidermólise bolhosa não têm restrições para frequentar a escola, segundo a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Sarita Martins.

``Algumas atividades físicas terão de ser alternativas, mas no dia a dia não há grandes mudanças de estrutura nem fatores mais agravantes do que estar em casa``, diz.

RECUSA DE MATRÍCULA
Nenhuma escola -pública ou particular- pode recusar a matrícula de um aluno.

Por saberem disso, é comum as instituições darem respostas vagas em situações como a de Letícia, afirma Carmen Ventura, professora de psicologia responsável pelo programa de acessibilidade da PUC-Campinas.

``Hoje, há tantas alternativas para garantir a inclusão que negar acesso é falta de interesse e discriminação mesmo``, diz Ventura.

O professor de direito da PUC de Campinas, Fabrizio Rosa, orienta os pais a solicitar a matrícula por escrito e pedirem um retorno formal.

``Assim, eles podem pedir uma liminar na Justiça para fazer a matrícula e até mesmo por danos morais``, explica o professor.

OUTRO LADO

Colégios dizem que não conseguem atender à demanda
DE CAMPINAS

A reportagem procurou as quatro escolas consultadas pela família de Letícia -Lyon, Asther, Contemporânea e Renovatus.

A diretora pedagógica do Colégio Lyon, Gabriela Velasco, afirmou que aguarda laudos médicos para entender a doença. Dependendo do resultado, disse, Letícia poderá ser matriculada ou ``começar a desenvolver outra atividade`` no colégio. A mãe de Letícia, porém, nega que a escola tenha pedido os laudos.

``A estrutura da escola foi pensada para garantir acessibilidade, mas a procura é grande``, disse, acrescentando que todas as turmas já têm um aluno ``com deficiência``.

A diretora do Colégio Asther, Ivani Spelling, também alegou que todas as classes da escola têm um aluno com ``algum problema`` e que, com dois, ``a professora não consegue trabalhar``.

Ela diz que o local não está preparado para receber alunos com a doença de Letícia. ``Tem muita coisa que ela não poderia fazer para manter sua integridade física, então teria de ficar afastada. Como iremos sociabilizar alguém dessa forma?``

Adriana Muniz, coordenadora da Contemporânea, afirmou que apresentou a escola a Suzana e solicitou um laudo médico para avaliar o caso, mas não o recebeu. Disse ainda que a instituição ``não está de portas fechadas`` para a criança.
Procurada, a Renovatus não atendeu a reportagem.


Fonte: Folha de S.Paulo

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