Médicos e planos de saúde

Editorial Correio Braziliense

Volta a incomodar mais do que o normal um dos campeões da insatisfação popular: os planos de saúde. Contumaz frequentador do topo do ranking das reclamações dos Procons, o setor mal se recupera da intervenção da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que há uma semana suspendeu a comercialização de 301 planos por descumprimento dos prazos máximos de atendimento à clientela, e já vive nova conturbação. Dessa vez, os consumidores serão afetados. Eles vão saber que as operadoras também desagradam aos médicos.

A partir de hoje, os profissionais vão deixar de atender às consultas e realizar procedimentos eletivos. Prometem manter a recusa por pelo menos oito dias, como forma de exigir o reajuste dos valores pagos pelas consultas, que estariam com grande defasagem. Até ontem, o movimento de protesto tinha conseguido a adesão de entidades da categoria em pelo menos 16 estados.

Dados do Conselho Federal de Medicina (CFM) revelam que, dos 371 mil médicos em atividade no país, cerca de 170 mil atendem a usuários de planos de saúde. Essa é a quarta vez em apenas dois anos que os profissionais paralisam o atendimento pelo mesmo motivo, o que sinaliza a manutenção de impasse que se arrasta há anos.

Representantes de entidades médicas afirmam que, em média, os planos pagam entre R$ 40 e R$ 60 por atendimento, valores que não pesam mais do que 18% dos gastos das operadoras com consultas, havendo, portanto, boa margem para reajustar as tabelas de honorários. Além disso, argumentam que o faturamento do negócio da saúde privada tem crescido em média 14% anualmente em razão do aumento do número de empregos formais criados no país nos últimos anos. No entanto, o incremento não se tem refletido na remuneração dos prestadores de serviços médicos, profissionais, clínicas e hospitais.

Certamente não cabe à autoridade arbitrar valores nesse nível de administração de cada plano. Mas o conflito não tem como não demandar alguma interferência ou intermediação da agência reguladora visando a acordo o mais rápido possível. Afinal , é papel da ANS zelar pela qualidade da prestação do serviço público pelas concessionárias privadas. E não há como negar que a condição de problema mal resolvido a que chegaram os planos de saúde pode em boa parte ser lançada na conta das deficiências de estrutura e da falta de ação da agência.

O mau atendimento que levou à suspensão da comercialização de planos e, agora, a “greve” que expõe a insatisfação dos médicos só agravam a má reputação da prestação desse serviço que, há apenas 24 horas, recebeu a notícia de que a UnitedHeath, gigante norte-americana, pagou R$ 10 bilhões pelo controle da brasileira Amil. O preço cobriu ágio de 21,5% em relação ao valor das ações da operadora, cotadas na Bovespa. Se havia alguma dúvida por parte da ANS de que a saúde é negócio lucrativo — pelo menos para quem sabe administrá-la —, agora não há mais. Na defesa do usuário, essa informação não pode se desprezada. 

Fonte: Correio Braziliense

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