Oposição questionará Agnelo sobre ligações com laboratório

Governador petista terá de explicar atuação de auxiliar em favor de empresa que PF acusa de irregularidades

A oposição quer que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), explique à CPI do Cachoeira suas relações com o laboratório Hipolabor, acusado de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, formação de cartel e falsificação de medicamentos. O objetivo é convocar pessoas ligadas a ele e à indústria farmacêutica para depor sobre o caso, sob análise da Procuradoria-Geral da República (PGR). O governador depõe amanhã. 

Como o Estado revelou ontem, grampos obtidos com autorização judicial durante a Operação Panaceia, desencadeada por órgãos de investigação de Minas, mostram que o laboratório recorria a Rafael de Aguiar Barbosa - atual secretário de Saúde do DF e ex-diretor adjunto de Agnelo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) - para acelerar demandas na agência.

Nas conversas, um dos diretores do Hipolabor, Renato Alves da Silva, pede a um representante da empresa em Brasília, Francisco Borges Filho, ex-chefe de gabinete de Agnelo na Câmara, que acione Barbosa para que interfira num dos departamentos da agência em favor da empresa.

Uma agenda apreendida na operação lista supostos pagamentos a Agnelo, no valor de R$ 50 mil. Ouvido pelo Estado, o ex-assessor disse se tratar de uma promessa de campanha do Hipolabor ao petista, mas sustentou que ela não se concretizou.

O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), adiantou que vai propor requerimentos para convocar à CPI os citados na investigação. Ele disse que Agnelo deveria se licenciar do cargo. A aprovação é improvável, já que os governistas têm maioria e o foco da comissão são as relações de políticos com o contraventor Carlinhos Cachoeira. A alternativa é chamá-los às demais comissões da Câmara. 

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) adianta que vai solicitar à força-tarefa responsável pela Operação Panaceia o compartilhamento das provas. O objetivo é verificar se o suposto esquema investigado tem alguma conexão com o caso Cachoeira. ``É uma situação gravíssima: um laboratório investigado por fraudes manter relações com um governador``, afirmou. 

Integrante da CPI e autor de denúncias contra Agnelo, o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) disse que o depoimento marcado para amanhã é a oportunidade de o petista explicar suas relações com o Hipolabor. 

Ao Estado, Agnelo negou ter recebido qualquer repasse do laboratório ou tê-lo beneficiado. Em nota, o Palácio do Buriti insinuou que as investigações conduzidas em Minas, Estado governado pelo PSDB, são uma trama de tucanos contra o governador. 

O deputado Fábio Ramalho (PV-MG), suspeito de receber pagamentos do Hipolabor e de intermediar interesses do laboratório na Anvisa, admitiu ontem ter atuado junto à agência para marcar reuniões e agilizar processos da empresa, mas negou ter praticado tráfico de influência. Ele disse jamais ter recebido repasses da indústria farmacêutica e colocou seu sigilo bancário à disposição dos órgãos de investigação.


Fonte: FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

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