Polícia encontra ossadas no jardim de universidade

Crânios, cadáveres e fetos do laboratório de anatomia da São Marcos foram enterrados a pedido de coordenador

A Polícia Civil encontrou ontem 15 crânios, vários ossos, 3 fetos, 1 criança sem cabeça e sem mãos e 1 cadáver adulto sem as pernas enterrados no jardim da Universidade São Marcos, câmpus Ipiranga, zona sul de São Paulo. 

Segundo o diretor do DHPP, Jorge Carlos Carrasco, os corpos - usados para ensino e pesquisa - foram enterrados pelo zelador, Percival Luiz Esperidião, a mando do coordenador administrativo Sérgio da Rocha Silva, após a desativação do laboratório de anatomia. Os dois funcionários foram levados para a delegacia, acompanhados da reitora Maria Aurélia Varella. O episódio levou ontem à suspensão das aulas.

A reitora Maria Aurélia afirmou que ficou sabendo da existência da ossada no fim de abril. Na ocasião, disse ela, foi comunicada pela coordenadora de enfermagem da instituição sobre o risco de contaminação que o material armazenado no laboratório trazia. Antes de ser desativado, o laboratório era usado pelos alunos dos cursos de psicologia, ciências biológica, fisioterapia e enfermagem.

Na ocasião, Maria Aurélia alega ter entrado em contato com o Instituto Médico Legal (IML) para pedir orientação. Foi informada que o órgão não poderia fazer a retirada do material e os restos mortais deveriam ser enterrados. Maria Aurélia disse que solicitou a mantenedora da universidade para tomar as medidas cabíveis. ``Mas, enterro tem de ser feito em cemitério``, disse ontem, alegando surpresa com o ocorrido. 

Assim que recebeu a denúncia, a delegada Cíntia Tucunduva, 5.ª Delegacia de Polícia de Repressão a Crimes contra Criança e Adolescente, instaurou inquérito e pediu à Justiça um mandado de busca e apreensão para apurar. O mandado foi expedido e ontem cães farejadores encontraram os restos mortais. 

``Isso é um absurdo. Apesar de termos problemas financeiros, sempre agimos com ética e respeito. Fazíamos pesquisa séria com esses corpos. Estão enterrando a universidade``, disse Ernani José de Paulo, ex-reitor da instituição. 

A Universidade São Marcos, que conta com 2,1 mil alunos, foi descredenciada pelo Ministério da Educação (MEC) em março deste ano.

Segundo a pasta, a decisão veio após processo que verificou ``inúmeras irregularidades``. A São Marcos vivia forte crise administrativa e estava sob intervenção judicial. Despejada, havia mudado a data de início das aulas seis vezes. 

A direção deveria providenciar a transferência dos alunos e entregar a documentação dos interessados em 90 dias - prazo que termina no final do mês. / GIO MENDES, OCIMARA BALMANT E PAULO SALDAÑA

Fonte: O Estado de S.Paulo

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