TCM vai auditar fiscalização de OSs da Saúde

Tribunal de Contas deve analisar contratos e serviços de consultoria

O Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP) vai auditar o trabalho que a Prefeitura desenvolve com contratadas para fiscalizar os serviços e os gastos das Organizações Sociais (OSs) que administram unidades de saúde da rede pública.

Relator da área no tribunal, o conselheiro Maurício Faria estabeleceu como prioridade acompanhar a execução do contrato que a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) firmou com a Gesaworld do Brasil e do convênio com o Instituto Via Pública, que, juntos, somam R$ 15,4 milhões.

Apesar de terem um consórcio no mercado brasileiro, a Gesaworld e o Instituto Via Pública foram contratados separadamente e atuam em duas frentes complementares de um sistema de monitoramento e fiscalização para a rede de saúde. Desde maio, a Gesaworld desenvolve um programa para controle contábil remoto. Na semana passada, o Via Pública teve convênio ampliado até março para visitar 268 UBS e Amas e, assim, averiguar com pacientes e médicos como são feitos os atendimentos.

De início, o trabalho está focado em unidades de saúde administradas por contratos de gestão com as OSs. A iniciativa começou apenas após recomendações do TCM, que via ``ausência de fiscalização, cumprimento de metas e de diretrizes públicas``.

``Vou determinar uma auditoria especialmente cuidadosa sobre o aditamento do convênio da Via Pública e sua execução. E, ao mesmo tempo, sobre o contrato da Gesaworld``, diz Faria. ``Vamos ver se o que estão fazendo é adequado. Se tiver consistência, pode levar à superação das falhas. É importante para regularizar os contratos de gestão.``

Interesses. A consultoria Gesaworld vai receber mais de R$ 9,6 milhões até maio de 2014 para criar um software que permite à SMS verificar e analisar pela internet as prestações de contas das OSs parceiras. E, assim, controlar o uso dos recursos repassados anualmente: R$ 1,3 bilhão.

Só que a consultoria, de origem espanhola, também trabalhou para as OSs a serem fiscalizadas. Constam do site da Gesaworld como clientes no Brasil as OSs Casa de Saúde Santa Marcelina, Associação Congregação de Santa Catarina e Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam) - que tem parceria com o hospital Albert Einstein.

``Precisa examinar. Se a consultoria exerce apoio à fiscalização e ao mesmo tempo presta serviço para a fiscalizada, é estranho. Há um conflito de interesses``, diz Faria.

Ao Estado, a Gesaworld disse que não há conflito, porque prestou consultoria a OSs em ``períodos anteriores`` e deixou a atividade depois de formalizar contrato com a SMS. A pasta disse que ``não há, em princípio, impedimento a que (a Gesawold) tenha outros contratos no mercado``. A secretaria disse que prestará os esclarecimentos solicitados pelo TCM e a parceria com o Via Pública ``respeita as leis``. ``Não existe decisão impeditiva que invalide essa parceria``, afirmou, em nota.

O Via Pública firmou, sem licitação, termo de parceria com a SMS em 2006. Até 2011, a pasta empenhou R$ 76 milhões para pagar ao instituto - que deve receber pelo menos mais R$ 5,8 milhões, de janeiro a março.

O relatório final da Subcomissão das OSs na Câmara Municipal, de janeiro, diz que ``o trabalho realizado pela Via Pública atualmente em nada contribui para o aprimoramento dos contratos de gestão celebrados pela SMS``.

Prejuízo. Em 2010, o Via Pública foi declarado inidôneo pela Prefeitura - recomendação do TCM, que viu ``dano ao erário`` e pediu ressarcimento de R$ 900 mil (valor à época). Mas a pasta de Assistência Social, que o contratara para cadastrar famílias carentes candidatas a receber auxílio financeiro, cancelou o ato e decidiu apurar a ``publicação indevida`` no Diário Oficial. Segundo o Via Pública, o processo ainda está em análise na Prefeitura.

Secretaria envia 205 mil mensagens de consultas

De maio a setembro deste ano, a Secretaria Municipal de Saúde enviou 205.392 torpedos de celular, a um custo de R$ 0,10 cada, para confirmar data e hora de consultas marcadas em unidades de saúde da rede SUS em São Paulo. A ideia é que os alertas por mensagens de texto evitem faltas em consultas e exames agendados.

A medida foi anunciada em agosto do ano passado pelo secretário Januário Montone (PSDB), que admitiu necessidade de ``melhorar a comunicação com os pacientes``.
À época, a secretaria alegou que o absenteísmo - ausência de pacientes em procedimentos médicos marcados - era uma das causas para que Organizações Sociais da Saúde não atingissem as metas de atendimento e para as quais continuavam a receber verba pública. / F.F.

Fonte: FELIPE FRAZÃO - O Estado de S.Paulo
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