UnitedHealth, dos EUA, compra a Amil em operação de R$ 9,92 bilhões

Pelo acordo, americanos pagarão R$ 6,5 bilhões aos controladores do grupo brasileiro

A americana UnitedHealth Group (UHG)anunciou ontem a compra da operadora de planos de saúde Amil, em um negócio que pode chegar a R$ 9,92 bilhões. A empresa vai pagar R$ 6,5 bilhões pelos 58,9% que estão nas mãos dos controladoras da companhia: o fundador Edson Bueno e sua sócia e ex-esposa, Dulce Pugliese. O restante será pago aos acionistas minoritários por meio de uma oferta pública de aquisição de ações, que resultará no fechamento de capital da empresa.

Após o operação, a UnitedHealth será dona de 90% da Amil. Os antigos controladores continuarão a deter 10% da empresa por pelo menos cinco anos. Bueno permanecerá nesse período como presidente da Amil, mas com a missão de preparar um sucessor. Ele comprou 0,9% das ações da UHG por US$ 470 milhões e se tornou seu maior acionista individual. Também será um dos dez conselheiros do grupo americano - o único estrangeiro.

A Amil faturou R$ 9,27 bilhões em 2011 e soma 5,9 milhões de beneficiários de seus planos. Esses números colocam a empresa na liderança do mercado brasileiro de planos de saúde, com cerca de 10% de participação, mas bem abaixo dos resultados de sua nova acionista. A UnitedHealth fechou o ano passado com cerca de 75 milhões de clientes no mundo todo e uma receita de US$ 102 bilhões.
Bueno afirmou que nada muda para o cliente da Amil imediatamente, mas que a companhia receberá tecnologia e conhecimento da nova acionista. ``A entrada da UnitedHealth vai dar um `upgrade` na Amil. Em três anos, seremos uma empresa com outra cara, muito melhor``, disse Bueno.

``A United é uma empresa muito informatizada e vai tentar implantar esse sistema aqui``, disse um consultor do mercado de saúde, que preferiu não se identificar. ``Nos Estados Unidos, ninguém assina papelada ou precisa de guias. É tudo online, como é comprar com cartão de crédito. O desafio da empresa vai ser implantar esse sistema aqui.``

Negócio. A UnitedHealth já fez mais de 140 aquisições. A da Amil é a maior já feita fora dos Estados Unidos e a segunda mundialmente - só perde para a compra da californiana PacifiCare, por US$ 9 bilhões, em 2005.

Em apresentação a investidores, a companhia americana justificou a compra da Amil pelas grandes oportunidades que vê no mercado brasileiro. Hoje, cerca de 25% da população tem plano de saúde, índice que é de 78% nos Estados Unidos. A UnitedHealth também apontou que, no Brasil, há ``significantes oportunidades de consolidação no mercado``: há aqui cerca de 1,6 mil operadoras de planos de saúde, 3,6 vezes mais do que nos Estados Unidos.

``Um das coisas que a UHG vai fazer é entrar com força com o sistema de coparticipação``, afirmou Bueno. Pelo sistema, o cliente paga à parte uma porcentagem do custo dos serviços que usa. ``Tentamos fazer isso, mas não deu certo. Mas essa é a melhor maneira de reduzir custo. Está cheio de aposentados e hipocondríacos que não têm o que fazer e vão ao centro médico, tomar café e passar por consulta``, disse ele, em teleconferência com analistas.

Hospitais. A negociação entre as duas empresas começou há três anos, quando o diretor de relações com investidores da Amil, Erwin Kleuser, foi procurado por representantes da UHG. A conclusão do negócio ainda depende da aprovação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e do fechamento de capital. A estimativa da Amil é fazer a oferta pública no primeiro trimestre de 2013.
Investidores brasileiros e americanos receberam bem a operação - a ação da Amil disparou 15,26% e a da UnitedHealth fechou com leve alta, de 0,82%.

Na a coletiva de imprensa, Bueno foi indagado sobre a possibilidade de o negócio esbarrar nas restrições ao capital estrangeiro em hospitais brasileiros, uma vez que a compra inclui 22 centros médicos da Amil. A lei permite que planos de saúde tenham sócios estrangeiros, mas veta a operação de hospitais por estrangeiras. ``Perguntamos isso à Advocacia Geral da União na época da abertura de capital, em 2007, e tivemos parecer favorável``, disse Kleuser. A Advocacia Geral da União e a ANS enviaram ao Estado comunicados confirmando o entendimento.

Agora, Bueno quer presidir o conselho do grupo americano

Empresário gosta de dizer que tombo transformou um garoto que não queria estudar no 22º homem mais rico do País.

``Sou muito expansivo. Em um segundo vou ficar amigo de todo mundo lá no conselho de administração da UnitedHealth e em um triz vou virar presidente.`` Foi isso que Edson de Godoy Bueno, de 69 anos, respondeu aos jornalistas que ontem perguntaram o que ele iria fazer agora, depois de vender a empresa que fundou em 1978, no Rio de Janeiro.

Paulista de Guarantã, pequena cidade perto de Bauru (SP), Bueno é o 22.º homem mais rico do Brasil e o 578.º do mundo, segundo a lista de bilionários da revista americana Forbes. Não se sabe exatamente quanto é sua fortuna pessoal. A revista fala em R$ 4,42 bilhões. Outras fontes calculam em R$ 6 bilhões. O fato é, que com a venda da Amil, o garoto que repetiu quatro vezes a quarta série do primário ficou ainda mais rico.

``Fiz bico de engraxate quando criança, repeti o primário quatro vezes, mas, quando tinha 14 anos, levei um tombo e desmaiei. Quando acordei, nos braços do único médico da cidade, achei que era um anjo. Aí tomei a decisão de estudar e me formar em medicina``, diz ele, que adora contar sua história de ``self made man``. ``Sou uma pessoa simples do interior, gosto de falar abertamente com as pessoas``, diz.

Ao contrário da ex-mulher Dulce Pugliese de Godoy Bueno, que é vice-presidente de capital aberto da Amil, nenhum dos dois filhos trabalha na empresa. ``Genética não tem nada a ver com negócio``, afirma.
Criado pela mãe viúva (seu pai morreu quando ele tinha cinco anos), Bueno conseguiu se formar aos 28 anos, pela antiga Faculdade de Medicina da Praia Vermelha (hoje UFRJ). Com diploma na mão, foi trabalhar numa pequena casa de saúde particular em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A clínica vivia afundada em dívidas e atrasando os salários dos funcionários. Sem ver saída, os donos do lugar propuseram a Bueno um negócio: ele ficaria com a clínica em troca de assumir as dívidas da empresa.

Sem pensar nos riscos, ele topou e logo colocou ordem no lugar. Foi atraindo novos clientes, com serviços como o de leva e traz, que dava carona em uma Kombi para as pacientes e seus filhos. Em cinco anos, Bueno já tinha quatro clínicas. A de Duque de Caxias já havia se tornado a maior maternidade privada no estado do Rio de Janeiro.

Bueno, então, foi estudar na Harvard Business School, em Boston, nos EUA. De volta, logo viu que o negócio de convênios médicos podia dar mais dinheiro que as clínicas. Fundou a Amil, um convênio voltado para a então classe média carioca, com uma estratégia baseada em um forte investimento publicitário. Foi assim que ele criou o infame, mas eficaz, slogan: ``Ligue Amil: 231-1000``.

Também foi pensando na publicidade que Bueno criou o serviço de resgate por helicóptero e o serviço de transporte de emergência de pacientes com um jatinho da Amil.

Em 2007, iniciou a fase de aquisições, comprando outras empresas, como Blue Life e, mais tarde, a Medial. No mesmo ano, a Amil abriu capital.

``Naquela época não queria ir para a Bolsa``, disse Bueno ontem, em teleconferência. ``Eu dizia: não vou deixar esses garotos colocarem a mão na minha empresa``, afirmou, referindo-se aos analistas de mercado. ``Vocês me colocaram contra a parede várias vezes e foi assim que fizemos a empresa ir para a frente. Então, posso dizer que adorei ir para a Bolsa. Vou sentir saudades de vocês``, disse ele, na teleconferência. / L.C.

Fonte: MARINA GAZZONI, LÍLIAN CUNHA - O Estado de S.Paulo

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